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Quem se Ama...

Poesia & Texto
 
Mesmo na dor é possível sorrir.
O sorriso em certos casos funciona como verdadeiro toque de mágica.
 
Ariston S. Teles
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Tendências



Toda pessoa não suficientemente realizada em si mesma tem a instintiva tendência de falar mal dos outros.
 
- Qual a razão última dessa mania de maledicência?
 
É um complexo de inferioridade unido a um desejo de superioridade.
Diminuir o valor dos outros dá-nos a grata ilusão de aumentar o nosso valor próprio.
 
A imensa maioria dos homens não está em condições de medir o seu valor por si mesma.
Necessita medir o seu próprio valor pelo desvalor dos outros.
 
Esses homens julgam necessário apagar as luzes alheias a fim de fazerem brilhar mais intensamente a sua própria luz.
São como vaga-lumes que não podem luzir senão por entre as trevas da noite, porque a luz das suas lanternas fosfóreas é muito fraca.
 
Quem tem bastante luz própria não necessita apagar ou diminuir as luzes dos outros para poder brilhar.
Quem tem valor real em si mesmo não necessita medir o seu valor pelo desvalor dos outros.
Quem tem vigorosa saúde espiritual não necessita chamar de doentes os outros para gozar a consciência da saúde própria.
 
Nas nossas reuniões sociais, os nossos bate-papos são , em geral, academias de maledicência.
 
Falar mal das misérias alheias é um prazer tão sutil e sedutor - algo parecido com whisky, gin ou cocaína - que uma pessoa de saúde moral precária facilmente sucumbe a essa epidemia.
 
A palavra é instrumento valioso para o intercâmbio entre os homens. Ela, porém, nem sempre tem sido utilizada devidamente.
Poucos são os homens que se valem desse precioso recurso para construir esperanças, balsamizar dores e traçar rotas seguras.
 
Fala-se muito por falar, para "matar tempo". A palavra, não poucas vezes, converte-se em estilete da impiedade, em lâmina da maledicência e em bisturi da revolta.
 
Semelhantes a gotas de luz, as boas palavras dirigem conflitos e resolvem dificuldades.
 
Falando, espíritos missionários reformularam os alicerces do pensamento humano.
Falando, líderes hipnotizam multidões, enceguecidas, que se atiram sobre outras nações, transformando-as em ruínas.
Guerras e planos de paz sofrem em poderosa influência da palavra.
 
Há quem pronuncie palavras doces, com lábios encharcados pelo fel.
Há aqueles que falam meigamente, cheios de ira e ódio.
São enfermos em demorado processo de reajuste.
 
Portanto, cabe às pessoas lúcidas e de bom senso, não dar ensejo para que o veneno da maledicência se alastre, infelicitando e destruindo vidas.
 
Pense nisso!
 
Desculpemos a fragilidade alheia, lembrando-nos das nossas próprias fraquezas.
 
Evitemos a censura.
 
A maledicência começa na palavra do reproche inoportuno.
 
Se desejamos educar, reparar erros, não os abordemos estando o responsável ausente.
Toda a palavra torpe, como qualquer censura contumaz, faz-se o hábito negativo que culmina por envilecer o caráter de quem com isso se compraz.
 
Enriqueçamos o coração de amor e banhemos a mente com as luzes da misericórdia divina.

Porque, de acordo com o Evangelho de Lucas, " a boca fala do que está cheio o coração".
 
 

 

Texto extraído do livro "A essência da Amizade", Huberto Rohden.

 

068 - Postado em 04/11/2008

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