Sonhos
de Natal
Quase
duas horas da tarde.
O Shopping estava lotado.
Era
a estréia do filme Lua Nova da saga Crepúsculo.
A
fila já dobrava em quadrado e minha filha
Nórika, de 13 anos, lá estava.
Começaram
as entradas ao cinema e a cada bilhete passado
no infra-vermelho e aprovado, ouvia-se uma festa.
Adolescentes
pulavam e gritavam de alegria, por pisar do lado
de dentro da sala de projeção do
tão esperado lançamento.
Enquanto
isto, por todos os corredores do Shopping, nuvens
de vapor leve, umidificavam o ar quente e seco
do ambiente semi-aberto, decorado com um canteiro
central contínuo, carregado de robustos
coqueiros, todos enfileirados e rodeados de muita
água. Um pequeno e simples paraíso
num dia bem quente.
Enquanto
esperava, sentei-me próximo a entrada do
cinema, e fiquei apreciando a decoração
natalina e o vai e vem de adultos e crianças,
se deliciando com sorvetes e água, encantados
com as novidades.
De
repente, a casinha do Papai Noel com sua grande
árvore de natal, acendeu em milhares de
lâmpadas miudas e coloridas, prevalescendo
a forte matiz da cor amarela brilhante.
Papai
Noel, chegando de mansinho, sem alardes, tocou
o seu sininho, e sentou-se em sua majestosa cadeira,
acenando suavemente
para a sua direita, chamando um menino de mais
ou menos quatro anos de idade, acompanhado de
sua mãe.
O
menino deu dois passos para frente, mas hesitou
e parou.
A
mãe dele pegou-o pela mão, e o levou,
posicioando-o bem de frente ao senhor Noel e,
afastou-se um pouco.
O
menino, tenso, olhando direto para o rosto do
Papai Noel, conservou-se estático, com
os dois braços entrelaçados nas
costas.
Papai
Noel colocou suas mãos nos ombros do menino
e, olhando ternamente em seus olhos, percorreu
os dois bracinhos com doçura, até
tomar-lhe as mãos, que já estavam
totalmente entregues, e então conversaram.
Só
eles sabiam do que falavam.
Momento
mágico!
Alí,
o pequeno menino desligou-se do mundo e entregou
seus desejos mais profundos, suas fantasias mais
impossíveis, nas mãos do único,
que para êle, naquele momento, podia tudo.
Um
sorriso, um abraço e algumas balinhas,
que Papai Noel retirou do saco vermelho, que trazia
amarrado ao pulso.
O
menino, antes tenso, receoso, saiu da casinha
do senhor Noel, feliz, solto e falando bem alto
para a família que o aguardava do lado
de fora:
-
"Ganhei! Ganhei balinhas!".
Ora
essa!! Crianças brasileiras tem balinhas
quase que diariamente, em sua maioria! Porque
tanto alvoroço?
Mas
seus olhos, brilhavam arregalados, e êle
exibia as balinhas como algo mágico, pois
ao certo, elas eram encantadas, especiais, iguais
ao Papai Noel!! Elas representavam seus sonhos,
vindo de encontro com a sua realidade, na figura
do poderoso Papai Noel.
E
assim se foi.
Outras
crianças, também se achegaram, beijaram
o senhor Noel e pousaram para fotografias, ao
lado do simpático e doce velhinho, sempre
com o brilho mágico em seus olhares e sorrisos,
iluminando todo o cenário.
E
assim fiquei, por duas horas e meia, observando
a intensa felicidade, de crianças e adultos,
que por alí passaram, revivendo também,
meus momentos mágicos, junto ao Papai Noel,
de quando eu era criança.
Aos
poucos, a caixinha de correspondência na
entrada da casinha do Papai Noel, foi enchendo
de cartinhas com pedidos para o natal e ano novo
e, a cada toque dele, as meninas pulavam como
borboletas, felizes, na certeza de que a vida
é bela e os sonhos podem ser realizados.
Para
mim, foi uma tarde prazeirosa e inesquecível.
Um
feliz natal para todos!!